Como vocês já devem ter notado pelo nome, essa é a coluna
Explicando, onde eu basicamente explico um filme que eu citei lá no Pega a Pipoca
do blog da Pâm. Essa foi a primeira coluna do blog e a minha primeira postagem
como comentarista de filme no meu espaço próprio. Vou deixar os links para que
vocês possam ver as postagens e as explicações que deram origem a coluna: Aqui e aqui.
No post de hoje eu vou tentar explicar para vocês, da melhor
forma possível o filme 2001: Uma Odisseia no Espaço.
Sim gente, esse filme é difícil demais, ele é parado e demora
pra desenrolar. E o que ele tem demais? Vocês devem estar se perguntando.
Pois bem, na real esse filme é uma experiência para os
sentidos, existem infinitas interpretações que podem ser feitas dessa obra,
cada uma diferente da outra e todas elas corretas, todas perfeitamente válidas.
O começo do filme já é enigmático, uma vez que ele passa vários
minutos apenas na tela preta, só com a música de fundo e, precisamente aos 3
minutos, é que entra o logotipo do estúdio (imaginem essa cena no cinema em
1968)
Então, eis que vem uma das músicas mais famosas do cinema
enquanto acontece um alinhamento entre a lua, o sol e a Terra. Vale ressaltar a
importância que esse evento possui no filme sendo um símbolo para toda a
película. Outro fato bem peculiar quanto ao começo do filme, Kubrick gasta um tempo generoso nos apresentando a Terra da aurora do homem,
um deserto com poucos vegetais, um monte de antas e nossos antepassados.
Alerta de Spoiler, se não assistiu ao filme pare
IMEDIATAMENTE
Na cena em que o homem toca no monolito o que vemos
nitidamente é a sua evolução, o primeiro passo na jornada que irá tornar ele o
que é hoje. E o que o diretor quer nos demonstrar e consegue sem esforço algum? O
homem aprendeu o que é uma ferramenta, fez dela uma arma (estamos sempre fadados a isso), acabou com a fome do seu
povo e atacou aqueles que considera inimigos. Mas há um detalhe que precisa ser
lembrado, pouco antes da dita “evolução do homem” eis que surge novamente o
monolito negro. Do nada, a cena simplesmente corta para ele e o alinhamento dos
planetas logo a cima, é Kubrick utilizando um recurso bem óbvio para salientar
a importância do mesmo.
Isso tudo regado a uma trilha sonora de cantos quase
surtada, que com o crescendo chega a deixar você tenso e assustado com os
acontecimentos.
O segundo ato do filme compõe a viagem a lua, lá nós
descobrimos que o gigante monolito negro foi enterrado deliberadamente.
Por quem? Nunca iremos saber.

penso que existe uma boa probabilidade de tudo ser deliberado… Veja, no começo com os macacos nós somos capazes de perceber as emoções mais básicas dos humanos, sendo as principais: espanto, curiosidade e medo. Quando chegamos no segundo e terceiro ato o que temos são diálogos frígidos e por vezes desnecessários. Chega a ser quase uma sentença sobre o destino que dos humanos. E a cena que melhor comprova isso, cena que só consegui pegar bem depois, é a do aniversário do astronauta Frank Poole, o que normalmente é uma data a se comemorar, a se ter alegria é tratada com um certo desinteresse e frieza, em suma Kubrick está dizendo que neste momento o homem tornou-se apático.
Bom, em determinado momento o computador HAL acusa uma falha
em um dos equipamentos, depois de uma análise, o controle da Terra sugere que
HAL está com um defeito, os astronautas cogitam desativá-lo, porém HAL, sob a
justificativa de proteger a missão (na verdade para se proteger) mata quase
todos os tripulantes.
Confesso que o que vou tentar explicar pra vocês, é de certa
forma estranho até para mim, mas vamos lá.
Quando HAL começa a agir de maneira estranha? Na internet
existem várias explicações diferentes, uma delas sugere a partida de xadrez
entre o computador e o astronauta, que foi inspirada em uma partida real. O computador faz a jogada certa, mas anuncia de maneira errada (Rainha para bispo
3 quando o correto seria Rainha para bispo 6) e a questão que paira no ar
é, porque isso aconteceu, o diretor errou ou computador estava testando. Se
assumirmos que o diretor é um gênio e que o movimento foi proposital, por que
diabos o computador faria isso? Essa tese fará sentido se assumirmos que o
computador pensa que os humanos são falhos, coisa que ele chega a dizer mesmo. Inclusive
ele questiona Dave sobre o que ele acha da missão (provavelmente procurando
dúvidas ou receio) coisa que Dave como bom humano ligeiro sabe desconversar.
Porém a questão maior é: O computador estava suspeitando que os humanos não
estavam a altura da importante missão? Se sim,
foi ingênuo de sua parte comunicar a falha do equipamento, uma vez que foi isso que fez os humanos decretarem que ele operava em falha. Talvez HAL tenha feito cagada em dizer que o equipamento estava a ponto de quebrar e não quis admitir isso por medo das consequência e do eventual desligamento, sendo assim ele joga a culpa nos humanos. Temos logo em seguida toda o episódio do ataque da inteligência artificial aos humanos e o ápice dela é quando Dave, depois de pegar seu colega morto retorna a nave e pede para HAL para entrar e este se nega, é interessante nesse momento ver a frieza com a qual Dave trata o computador e logo depois notar como essa frieza é abandonada por um súbito de raiva quando este nega os apelos de HAL e nem se dignifica a respondê-lo, mas ainda mais peculiar é notar como a IA fica assustada diante da possibilidade de morrer, fazendo apelos ao humano e usando por várias vezes a frase “Tenho medo. ”
foi ingênuo de sua parte comunicar a falha do equipamento, uma vez que foi isso que fez os humanos decretarem que ele operava em falha. Talvez HAL tenha feito cagada em dizer que o equipamento estava a ponto de quebrar e não quis admitir isso por medo das consequência e do eventual desligamento, sendo assim ele joga a culpa nos humanos. Temos logo em seguida toda o episódio do ataque da inteligência artificial aos humanos e o ápice dela é quando Dave, depois de pegar seu colega morto retorna a nave e pede para HAL para entrar e este se nega, é interessante nesse momento ver a frieza com a qual Dave trata o computador e logo depois notar como essa frieza é abandonada por um súbito de raiva quando este nega os apelos de HAL e nem se dignifica a respondê-lo, mas ainda mais peculiar é notar como a IA fica assustada diante da possibilidade de morrer, fazendo apelos ao humano e usando por várias vezes a frase “Tenho medo. ”
Por fim, enquanto Dave desativa o computador HAL é jogado ao
período de seu nascimento, informando onde foi ligado e a música que aprendeu
“Daisy Bell. ” Medo é basicamente permeia todo o terceiro ato. Lembrando sempre que medo é uma das principais é mais básica das emoções humanas.
No quarto ato, júpiter e além o filme vira a doideira pela
qual ele é famoso e aqui cabe uma caralhada de explicações, uma vez que Dave
sai de sua cápsula e embarca na louca jornada.
Retirei uma de 30 sites diferentes que ousam explicar 2001:
Retirei uma de 30 sites diferentes que ousam explicar 2001:
“As imagens surreais que inundam a tela fazem referência
(num nível subconsciente) a criação da vida no útero – tá, eu sei que foram
longe. Se formos analisar Freud (leiam Freud de novo e descubram que não era
bem isso que ele defendia), a nave Discovery um grande falo, leia-se jeba (que
na verdade parece mais um espermatozóide) ejeta pela "cabeça" a cápsula
de uma forma diferente das demais, como se tivesse cuspindo-a. Entra-se então por uma fenda vertical.”
![]() |
O feto |
![]() |
Estou certo que essa aqui não precisa de explicações |
Depois das imagens doidas que lembram sexo, nós vemos sete
objetos octaédricos (para platão
representa o ar… jura?) e podem ou não serem
naves que estão escoltando o bravo astronauta. Depois a viajem segue pelo Grand
Canyon com uma paleta de cores diferente (mais brisa) e termina em uma sala
decorada a moda renascentista.
A sequência aqui continua bizarrissima, Dave subitamente
começa a se ver mais velho, numa sequência de acontecimentos que, acredito que
essa passagem representa figurativamente a redenção de Dave e sua libertação
das máquinas. Quando Dave quebra a taça de vinho é que ele atinge um nível de
consciência mais elevado. Na tradição judaica quebra-se um cálice ao fim da
cerimônia de casamento. Há vários significados, mas um deles é que isso
simboliza uma nova vida, um mudança de forma para todo o sempre, ou seja, de
dois indivíduos passam a ser um casal. É possível traçar um paralelo da cena de
Dave olhando para a taça com o macaco olhando para os ossos.
Ao passo que no
leito de morte ele encontra novamente o monolito negro e seu gesto copia muito
a “Criação de Adão” que ilustra o teto da capela sistina.
No final Dave transforma-se então num feto. A câmera se
aproxima do monolito, como se fôssemos transportados do local para a escuridão
do espaço, de onde o feto - chamado no livro de "Starchild"
("criança estrelar") - contempla o planeta Terra do alto, para depois
mirar bem dentro de nossos olhos com um olhar perturbador que mescla
sabedoria/velhice e inocência/infância.
É isso galera, consegui concluir, difícil, mas terminei.
Iria até pedir desculpas pelo tamanho, mas creio que você vem pra cá já esperando
posts longos e bem explanados, então...
![]() |
Humanidade 7.0 |
Eu preciso deixar aqui um agradecimento especial, não só a
Pâm que me iniciou nesse mundo de postagem.
A Juju Bittar do As Besteiras que me Contam, que por alguma
razão que não sei explicar, eu tive uma consideração e respeito imediato, no
momento que fiz meu primeiro post e recebi seu primeiro comentário.
A Tami do Meu Epilogo, que hoje faz parte da LJB, mesmo
sendo talvez um dos membros que mais boie no nosso grupo, mas está lá com a
gente firme e forte e estava aqui no QS comentando no post da Lucy, que só
existe por conta dela.
Carol do Caverna Literária e Priih do Infinitas Vidas,
caralho mano, como assim eu esqueci de vocês duas?! Puta que o pariu. Tipo, de
longe, vocês duas vem desde o começo e eu simplesmente esqueci de colocar vocês
no maior projeto que eu já fiz virtualmente falando, eu sou um demente! Mas não
seja por isso, eu vou dar um jeito e em 2017 eu bolo alguma coisa.